01
dez

Resenha | Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro

Categorias: Livros

Olá, leitores!

Recebi a chance de ler o ganhador do prêmio Nobel de literatura em 2017, Não me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro, lançado pela Companhia das Letras.

Título: Não me abandone jamais / Autor (a): Kazuo Ishiguro Editora:  Companhia das Letras

Páginas: 344  / Skoob: Adicione / Minha avaliação: 3,5/5

Sinopse: Kathy, Tommy e Ruth são clones criados para doar órgãos. Tendo esse cenário de ficção científica por pano de fundo, e o triângulo amoroso como gancho, Kazuo Ishiguro fala de perda, de solidão e da sensação que às vezes temos de já ser “tarde demais”. Finalista do Man Booker Prize 2005.

Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de “cuidadora”. Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os “alunos” de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição.

Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino – doar seus órgãos até “concluir”. Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses “doadores”, em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Minha opinião:

É uma ficção científica diferente de todas os outros livros que já li do gênero, e há li um bocadinho, pois é meu segundo gênero favorito.

Nesse livro nós acompanhamos Kathy H., que tem 31 anos e está em seu último ano como cuidadora. Ela conta sua história através de suas memórias do tempo vivido no colégio interno Hailsham, onde viveu cercada por várias crianças, algumas com mais importância em sua vida do que outras.

As crianças de Hailsham sabem que serão doadoras desde que começam a compreender, mas nada além disso lhes é revelado. Assim, Kathy está terminando seu papel de cuidadora e passará a ser um doadora e isso lhe desperta lembranças

Ela vai nos contando suas lembranças sem uma ordem exata. Ela vai narrando conforme vai se lembrando dos fatos. Falando sobre sua infância, adolescência, descobertas, experiências e sentimentos.

Enquanto ela vai narrando, temos o surgimento de vários personagens que, de uma forma ou de outra, marcaram seu tempo em Hailsham. Mas os personagens mais importante são Ruth, uma amiga, e Tommy, quem despertou sua paixão desde cedo.

A Ruth é uma personagem que não cativa e não consegui gostar nadinha dela, na verdade com o passar da história passo a praticamente odiá-la…

Como vamos acompanhando o que ela já vivenciou, acaba que sentimos a nostalgia dela com as lembranças que vão surgindo e as perguntas sem resposta acabam criando um mistério que aumenta a cada nova revelação do que ocorria dentro dos muros de Hailsham.

Pela sinopse já sabemos que eles são clones criados especialmente para serem doadores, mas quem os criou, para quem eles doarão e tudo mais que nos intriga durante a leitura somente se revelarão quando a Kathy vai nos dando informações que, juntamente com suas lembranças, montam o quadro geral do que ocorre.

E, posso afirmar sem perigo de estar exagerando, que triste quando tudo é revelado e nem sei mais o que dizer, só que é triste demais. Chega a ser algo doloroso saber as respostas ao que intrigou durante boa parte do livro.

Não sei se por não seguir o que estava acostumada e me tirar da minha zona de conforto, acabei não me empolgando tanto com a leitura e por diversos momentos a achei um tanto cansativa e repetitiva, mas creio que era a vontade do autor que acontecesse assim, pois realmente parece que a Kathy é real e está nos abrindo as portas de sua vida. Acho que vou guarda-lo para reler em outro momento de minha vida…

Então, para quem queira ler algo intrigante, desafiador e que lhe tire da zona de conforto, esse livro é a pedida certa!

Até a próxima!

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21
jul

Resenha | Nossas Noites – Kent Haruf

Categorias: Livros

Olá, leitores!

Hoje tenho o prazer de compartilhar com vocês a resenha do livro Nossas Noites, publicado pela Companhia das Letras e escrito pelo norte-americano Kent Haruf. Um livro simples, curtinho mas de uma profundidade que tocou meu coração.

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Nossas Noites conta a história dos vizinhos Addie e Louis e, embora não sejam amigos, moram na mesma rua há anos e sabem muito da vida um do outro. Certo dia, Addie decide fazer uma visita a Louis e propõe que ele faça companhia a ela todas as noites para que assim eles possam ter com quem conversar antes de dormir. A iniciativa surpreende Louis, porém ele aceita o convite, afinal, não teria nada a perder.

Com isso começa a nova rotina: ao cair da noite Louis vai a casa da vizinha, tira e dobra suas roupas e veste o pijama, em seguida os dois deitam na cama e conversam até adormecerem. A princípio a falta de intimidade pesa entre Addie e Louis, mas com passar dos dias, as trocas de experiências vão cada vez mais criando um laço entre os dois, despertando uma espécie de felicidade.

No entanto, os vizinhos estranham e começam a surgir boatos maldosos por toda cidade, o que acaba chegando aos ouvidos dos filhos que tentam interferir na relação. Mas nem isso impede a rotina dos dois, e quando Jamie (neto de Addie) precisa vir passar um tempo com ela, os dois passam a se reinventar para manter a relação que construíram.

A história é simples, não há um ponto alto definido nem reviravoltas. Nossas Noites me conquistou justamente por ser uma narrativa envolvente, sensível e realista. O autor foi muito feliz ao abordar um tema envolvendo a vida de pessoas que passam a viver sozinhas depois de terem construído uma família e, mesmo sendo considerados idosos, decidem viver de novo sem se incomodar com que a opinião das pessoas.

Eu só posso finalizar essa resenha dizendo que eu amei Nossas Noites e valeu cada minuto do dia que dediquei a essa leitura tão cheia de carinho e ternura em cada página. E, para aqueles que quando lerem se apaixonarem tanto quanto eu, ouvi dizer que a Netflix já vai lançar uma adaptação desse romance. Tomara que seja tão bom quanto o livro!

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Um beijo e até a próxima!

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10
jul

Resenha | A Febre do Amanhecer – Peter Gárdós

Categorias: Livros

Olá, queridos leitores!

Hoje vamos falar do primeiro romance do autor húngaro Peter GárdósA Febre do Amanhecer.

Título: A Febre do Amanhecer / Autor (a): Peter Gárdós / Editora: Companhia das Letras

Páginas: 216 / Skoob: Adicione / Compare e Compre: Buscapé / Minha avaliação: ★★★

Sinopse: Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.

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A Febre do Amanhecer é um romance ambientado na Suécia e tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Livros com essa temática sempre despertam o meu interesse, principalmente quando são histórias verídicas, como é o caso do livro em questão.

Aqui o leitor é apresentado a Miklós e Lili, dois jovens completamente diferentes, mas que ao longo de suas trajetórias acabam descobrindo alguns pontos em comum e passam a nutrir um sentimento lindo um pelo outro.

Os dois eram sobreviventes de guerra, por isso estavam em péssimas condições de saúde. Tanto Lili quanto Miklós estiveram bem próximos da morte, porém Miklós resolveu ignorar o diagnóstico do médico e procurar alguém para se casar. Ele escreveu cartas para diversas moças que estavam internadas nos hospitais da Suécia. Algumas responderam, inclusive Lili, e foi a partir daí que os dois passaram a se conhecer e, logo em seguida, dividir suas vidas e sentimentos através das correspondências.

A Febre do Amanhecer é um romance bem diferente de tudo que já havia lido. O fato do romance se passar num período pós-guerra gerou em mim um misto de sentimentos; em alguns momentos eu estava sorrindo e em outros me pegava chorando, por se tratar de uma história tão linda, mas ao mesmo tempo dolorosa e real.

Gostei da forma de como o autor não focou apenas no romance, mas também na história de superação e sobrevivência do casal. Isso sem contar que esse foi o meu primeiro contato com a escrita de um autor húngaro e fiquei bem contente por isso.

Pra completar, a Companhia das Letras ainda fez um belíssimo trabalho com a edição! Assim que vi essa capa linda com recortes das correspondências fiquei completamente apaixonada porque eu amo escrever cartas. Ah! e internamente podemos encontrar vários trechos das correspondências trocadas pelo casal. Lindo isso, né?

Agora só me resta indicar esse livro a vocês, sobretudo para quem ama histórias ambientadas em períodos de guerra.

 

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