09
jun

Resenha | O Muro – William Sutcliffe

Categorias: Livros

Olá, queridos leitores!

Hoje trago minha opinião sobre O Muro, livro escrito pelo britânico William Sutcliffe, publicado aqui no Brasil pela Editora Record e que aborda temas como lealdade, identidade e justiça.

Título: O Muro / Autor: William Sutcliffe / Editora: Record / Páginas: 336

 Skoob: Adicione /  Minha avaliação: ★★★

Sinopse: Um romance emocionante e uma fábula política e ideológica marcante sob o ponto de vista de uma criança. Joshua tem 13 anos e mora com a mãe e o padrasto em Amarias, um lugar isolado no topo da montanha, onde todas as casas são novíssimas. Na fronteira da cidade, há uma barreira bem alta, guardada por soldados fortemente armados e que só pode ser cruzada através de um posto de controle. Ninguém deve entrar naquele lugar, e quem está lá não tem permissão para sair. Desde pequeno, Joshua sabe que, do outro lado daquela muralha, há um território violento e implacável e que O Muro é a única coisa capaz de manter seu povo em segurança. Desde pequeno, ele sempre ouviu que, do outro lado, havia um território proibido, um lugar violento e perigoso, do qual um garoto como ele deveria manter distância. Um dia, a bola de Joshua cai do outro lado do Muro e, ignorando tudo o que sempre ouviu, ele vai atrás dela e acaba descobrindo um túnel que o leva a uma realidade que jamais imaginou encontrar. Lá ele acaba caindo nas mãos de uma gangue sanguinária, mas a bondade de uma menina salva sua vida. Porém isso acaba desencadeando um ato de extrema crueldade e coloca Joshua em dívida com ela… Uma dívida que ele fará de tudo para pagar.

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Em O Muro, o protagonista é um garoto de 13 anos, Joshua. Ele é desobediente, teimoso, mentiroso, determinado, curioso e com uma maturidade fora do comum para um adolescente. Ele vive na fronteira de Amarias, junto com a mãe e o padrasto, com quem tem um relacionamento muito complicado.

Nessa cidade repleta de soldados, postos de controle e cercada por um enorme muro, Joshua cresceu ouvindo histórias sobre “o inimigo”, do que esse inimigo poderia fazer com eles e de como apenas o exército poderia detê-lo. Mas Joshua era apenas um garoto e não fazia ideia de quem era esse adversário, até o dia em que, através de um túnel, ele vai parar sozinho no outro lado do muro e descobre uma realidade totalmente diferente da que ele conhece.

“Em Amarias, se você não souber quem é seu inimigo, você não sabe de absolutamente nada.” Página 120

Uma das primeiras coisas que acontece com Joshua do outro lado do muro é uma perseguição por um bando de garotos violentos. Ele mal teve tempo de assimilar que aquelas tantas pessoas usavam roupas muito mais simples que as dele, praticavam o comércio a céu aberto, lotavam as ruas e falavam outro idioma. Ele estava em perigo e, somente com a ajuda de uma menina disposta a colocar sua própria vida em risco, foi quem ele conseguiu escapar daquela gangue, mas não sem antes sentir que tem uma eterna dívida de gratidão com a menina que o acolheu e sua família. A partir desse momento, o protagonista começa a refletir sobre tantas coisas que até então ele não conhecia, ao mesmo tempo que enfrenta cada vez mais dificuldade no seu relacionamento familiar.

“Percebo que não sei que nome dar a esse sentimento que nasceu entre nós. Não era exatamente o que você poderia chamar de amizade. “Afeição” ou “ternura” parecem mais próximos, mas ainda não caracterizam o sentimento.” Página 308

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Histórias narradas por crianças sempre me emocionam muito, mas dessa vez foi um pouco diferente. Como já mencionei anteriormente, Joshua é muito maduro para sua idade e certas vezes tem atitudes e pensamentos que eu poderia muito bem relacionar a um adulto. Ele também não é um protagonista cativante, mas seu desejo de ajudar o próximo nos faz refletir sobre nossos valores enquanto cidadãos, filhos e amigos.

Vale ressaltar também que Joshua é um personagem de muita coragem e ousadia. Coragem essa que o fez ir contra “seu povo” e sua família para lutar pelos valores que ele julgava serem os certos. É inevitável não se colocar no lugar desse garoto que teve sua vida transformada, após se arriscar tanto por outras pessoas.

Uma característica que me fez demorar a concluir essa leitura foi o fato de a narrativa, feita em primeira pessoa, ser lenta e muito descritiva. Todas as cenas de O Muro são ricas em detalhes, porém isso acaba sendo cansativo em alguns momentos. Apesar dessa minha insatisfação, o livro me tocou de uma forma especial, pela mensagem linda que transmite.

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Apesar de O Muro não ter suprido as minhas expectativas, eu recomendo a leitura dele, principalmente para os leitores que estiverem em busca de algo que os impulsione a sair de sua zona de conforto e os encoraje a olharem mais para o próximo do que para a si mesmos.

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Um beijo e até a próxima!

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